UMA NOVA VISÃO SOBRE A INFÂNCIA
Autora: Marta Helena Fuchs, voluntária e pesquisadora da EVOLUCIN
Ao contrário do que pensa
a maioria, o trauma do renascimento é muito mais sentido e intenso do que o da
dessoma ou morte física. Na ressoma, a consciência passa por um restringimento
intensivo, perdendo a lucidez, a liberdade extrafísica e a sutileza de
manifestação e percepção.
A consciência troca de
soma a cada vida intrafísica, tendo novamente que dominar e domesticar o novo
corpo animal. A cada vida herdamos uma nova genética, informação esta que se
integra à nossa bagagem multiexistencial – a paragenética.
Em vidas anteriores, com
certeza, tivemos vários corpos bem diferentes uns dos outros, de diversas
raças, compleições físicas, e de ambos os sexos.
O fato de a consciência estar
ressomada, portando um novo corpo físico compromete a perceptibilidade da atual
condição, criando um estado de restrição. Assim, a consciência condicionada
sofre ao iniciar a nova vida física, em um soma bastante imaturo e
despreparado, tornando-se refém dos novos conhecimentos e sujeita a rasgos de
lembranças passadas.
Cada vida intrafísica
representa uma dependência e o ser humano é o mais dependente dos animais, num
corpo frágil, subordinado aos cuidados de adultos e ligado à genética, com as
energias desordenadas e imaturas e, ainda, carente de afeto.
Essa mudança severa é um
choque que causa entorpecimento, um adormecimento na continuidade da lucidez.
Há uma quebra na sua sequência de manifestação. Há um bloqueio profundo nas
memórias de outras existências.
É o ônus que a
consciência tem ao ressomar, a fim de ter nova chance de redirecionar sua
evolução, através de seu constante amadurecimento e do desenvolvimento de suas
potencialidades.
Desse modo, na sua
jornada física rumo à sua evolução, pode atingir completo desenvolvimento,
permanecer estagnada, parada, imatura e até regredir.
Portanto, podem existir
pessoas com compreensão acurada, com autodiscernimento, pesquisadoras de si
mesmas, com a finalidade de crescimento evolutivo. Tais pessoas, através do
exercício constante, diuturno e vigilante poderão medir o grau de lucidez e o
grau da sua maturidade como consciência.
Nessa atitude de eterna
pesquisa de si mesma, a consciência precisa reconhecer seus trafores (traços
força), desenvolvendo-os e adquirindo outros; identificar seus trafares (traços
fardos), esforçando-se para que sejam superados no decorrer das suas vidas
intrafísicas e possam atingir pleno desenvolvimento consciencial. São
consciências que se decidiram por uma opção evolutiva. Assim deixam de lado
vivências precárias, subconscientes e imaturas próprias da fase infantil.
Esse infantilismo que
pode persistir em algumas consciências na fase adulta e é o resultado do não
aproveitamento de uma fase rica em aprendizagem enquanto crianças. Mostra a
falta da capacidade e do esforço de usufruir do benefício e melhoramento que
este período proporciona através das experiências e vivências.
Tais consciências vão ter
escolhas, reações e comportamentos na fase atual (adulta) de um período
cronologicamente que já passou e que já deveria ter sido ultrapassado. Essas
atitudes desajustadas, não são coerentes com a realidade presente, uma vez que
cada período da vida física tem seus parâmetros próprios condizentes com a sua
faixa etária, suas condições físicas e psicológicas e estes parâmetros devem
ser ultrapassados sob pena de ficarem estagnadas.
São consciências carentes
de discernimento, de lucidez, de vontade de crescer evolutivamente e,
principalmente, de uma autopesquisa que levará a um acurado conhecimento de si
mesmas para que possam mudar para melhor. São consciências que não aproveitam
os mecanismos e os procedimentos que lhe são oportunizados para serem
utilizados em cada ressoma. São adultos imaturos, ingênuos. São adultos
infantis. Não se libertaram do porão consciencial.
Como a infância é um
período em que a consciência está restringida, obnubilada, o mais correto é
tratar esta fase de maneira proveitosa, promovendo situações que possam
despertar e propiciar rememorações esclarecedoras e gradativas e que, também
possam estimular e evocar as retrocognições, a fim de que haja um ganho
consciencial, priorizando, assim, a inteligência evolutiva.
Os pais, professores e
cuidadores, enfim, as pessoas responsáveis pela educação da criança precisam
assumir a responsabilidade de procurar encarar a fase infantil como um período
de franco progresso, desenvolvimento e amadurecimento e assim, ser tratada como
ela é - uma consciência. E, como tal, já possui a sua bagagem multissecular trazida
pela paragenética. É uma consciência que está temporariamente criança, mas
possui conhecimentos inatos e um somatório de autoexperiências. Conhecimentos
estes que são o resultado das informações adquiridas em existências anteriores.
Essas informações inatas
constituem as idéias que se conservam em estado de intuição para servirem de
base à apreciação de outras novas. Cabe a nós a liberdade de rememorá-las ou
não.
Caso positivo, a
consciência terá uma ferramenta que proporcionará um fundamento para que os
valores da educação, na nova vida, sejam um despertamento do nosso patrimônio
intelectual adormecido.
1 comentários:
Marta, parabéns pelo artigo. Muito esclarecedor! Vanderlei Kubiak
Postar um comentário